PAFEM: plano ambiental de fechamento de mina e quando é exigido

Foto: Reprodução/Vale

O Plano Ambiental de Fechamento de Mina (PAFEM) é um instrumento técnico previsto no licenciamento ambiental de empreendimentos minerários, com a finalidade de organizar, desde as fases iniciais do projeto, as ações necessárias para o encerramento das atividades de forma segura e ambientalmente adequada. 

Imagine que abrir uma mina é como organizar um grande evento em uma casa alugada: você precisa planejar a festa, mas, antes mesmo de os convidados chegarem, já deve saber como vai limpar a casa, consertar o que quebrar e entregar as chaves exatamente como recebeu (ou até melhor). 

Na mineração, esse “plano de entrega das chaves” focado no meio ambiente é o que chamamos de PAFEM

No cenário atual da mineração, especialmente em Minas Gerais, o fechamento de mina passou a ser tratado de forma mais estruturada pelos órgãos ambientais, exigindo planejamento contínuo ao longo de toda a vida útil do empreendimento. Esse movimento está relacionado ao aumento da fiscalização, à necessidade de controle de passivos ambientais e à incorporação de critérios de sustentabilidade e gestão de riscos nas operações. 

O que é o PAFEM e qual sua função 

Plano Ambiental de Fechamento de Mina (PAFEM) é o roteiro que define como uma mineradora vai encerrar suas atividades. Ele não é apenas um papel para cumprir burocracia; é um compromisso de que a empresa não deixará “cicatrizes” incuráveis na natureza ou riscos para as pessoas que vivem por perto. 

Para isso, o plano deve considerar aspectos físicos, biológicos e socioeconômicos, além de prever medidas compatíveis com as características da mina e do território onde está inserida. 

O fechamento não é tratado como uma etapa isolada. Ele deve ser planejado de forma progressiva, acompanhando o desenvolvimento da atividade minerária e sendo revisado conforme alterações operacionais, ampliação de estruturas ou identificação de novos riscos. 

Enquanto a mina está operando, o PAFEM funciona como um “seguro” de que o futuro daquela região foi pensado. Ele foca em três objetivos principais: 

  • Deixar tudo firme: Garantir que o terreno e as estruturas fiquem estáveis (sem desmoronamentos). 
  • Curar a terra: Recuperar a vegetação e a qualidade da água. 
  • Dar um novo destino: Definir se a área virará uma floresta, um parque ou outra atividade produtiva. 

Diferença entre PAFEM e PFM 

A distinção entre PAFEM e Plano de Fechamento de Mina (PFM) está relacionada aos órgãos que exigem cada documento e ao enfoque técnico adotado. 

O PFM é exigido pela Agência Nacional de Mineração (ANM) e está vinculado à regulação da atividade minerária em âmbito federal, e foca na parte técnica: como desmontar as máquinas, como fechar os túneis e como garantir a segurança física das estruturas. É uma regra federal, válida para todo o Brasil. 

Já o PAFEM é solicitado no processo de licenciamento ambiental, principalmente em Minas Gerais, e apresenta um detalhamento maior dos impactos ambientais e sociais, incluindo recuperação de áreas degradadas, monitoramento ambiental e diretrizes de uso futuro. 

Na prática, os dois instrumentos devem ser compatíveis entre si, já que tratam do mesmo empreendimento sob perspectivas complementares. 

Quando o PAFEM é exigido 

A exigência do PAFEM ocorre dentro do processo de licenciamento ambiental e pode variar conforme o porte do empreendimento, o potencial de impacto e a fase em que a atividade se encontra. Em Minas Gerais, é comum que o plano seja solicitado como condicionante para obtenção ou renovação de licenças ambientais, especialmente em atividades de maior complexidade. 

Diferentemente de outros instrumentos ambientais, o PAFEM não possui um prazo único e padronizado de apresentação. Sua exigência está vinculada ao processo de licenciamento e pode ocorrer em diferentes fases do empreendimento, conforme critérios definidos pelo órgão ambiental competente. 

Na prática, o plano pode ser solicitado ainda nas fases iniciais do licenciamento, atualizado ao longo da operação e detalhado no momento de encerramento das atividades. Também é comum que haja exigência de reapresentação ou complementação em processos de renovação de licenças ou diante de alterações no empreendimento. 

Esse modelo reforça a necessidade de tratar o fechamento de mina como um processo contínuo, e não como uma etapa isolada, exigindo acompanhamento técnico ao longo de todo o ciclo de vida da atividade minerária. 


 
O que deve conter um PAFEM 

Um PAFEM consistente reúne informações técnicas que permitam compreender a área e orientar todas as etapas do fechamento. Entre os principais conteúdos, destacam-se: 

  • Caracterização ambiental e diagnóstico da área impactada 
  • Identificação e descrição das estruturas minerárias existentes 
  • Avaliação de riscos ambientais e geotécnicos 
  • Definição das ações de descomissionamento 
  • Propostas de recuperação ambiental e estabilização das áreas 
  • Plano de monitoramento após o encerramento das atividades 
  • Cronograma físico-financeiro das ações previstas 

A qualidade dessas informações está diretamente relacionada à viabilidade do plano e à sua aprovação pelos órgãos ambientais. 

PAFEM e a gestão de riscos no setor mineral 

O planejamento do fechamento de mina está diretamente ligado à gestão de riscos ambientais, operacionais e sociais. Empreendimentos que não estruturam adequadamente essa etapa tendem a concentrar problemas no final da vida útil, quando os custos são mais elevados e as alternativas técnicas mais limitadas. 

A elaboração do PAFEM permite antecipar cenários, organizar intervenções de forma progressiva e reduzir a formação de passivos ambientais. Também contribui para melhorar a previsibilidade de custos e facilitar a tomada de decisão ao longo da operação. 

Do ponto de vista institucional, a existência de um plano consistente influencia a relação com órgãos reguladores, investidores e comunidades, especialmente em um contexto em que critérios ambientais e sociais têm peso crescente na avaliação de empreendimentos. 

Riscos associados à ausência ou inadequação do PAFEM 

A ausência ou fragilidade técnica do PAFEM pode resultar em uma série de implicações para o empreendimento. Entre as principais consequências estão: 

  • Aplicação de penalidades administrativas e multas ambientais 
  • Dificuldade na obtenção ou renovação de licenças 
  • Aumento do risco de acidentes e instabilidade de estruturas 
  • Geração de passivos ambientais de difícil recuperação 
  • Impactos negativos na imagem institucional e na relação com stakeholders 

Além dos aspectos legais, a falta de planejamento adequado compromete a segurança da área e pode prolongar os impactos ambientais mesmo após o encerramento das atividades. 

Perspectivas regulatórias para 2026

O cenário regulatório aponta para uma atuação mais integrada entre órgãos ambientais e minerários, com maior alinhamento entre exigências técnicas e fiscalização. A tendência é que o fechamento de mina seja tratado de forma cada vez mais detalhada desde as fases iniciais do licenciamento. 

Também se observa maior exigência quanto à comprovação da viabilidade das medidas propostas, incluindo monitoramento de longo prazo e definição clara do uso futuro das áreas. A incorporação de critérios relacionados à gestão de riscos e à responsabilidade socioambiental tende a se consolidar como parte do processo de análise dos empreendimentos. 

Como a Apoan apoia na elaboração do PAFEM 

A Apoan atua no desenvolvimento e na revisão de Planos Ambientais de Fechamento de Mina com foco na adequação técnica às exigências legais e na integração com a gestão ambiental do empreendimento. O trabalho envolve a análise das características da área, identificação de riscos, definição de medidas de controle e estruturação do plano conforme os critérios exigidos pelos órgãos ambientais. 

A atuação também inclui o alinhamento do PAFEM com outros instrumentos do licenciamento, acompanhamento de processos junto aos órgãos reguladores e apoio na implementação das ações previstas. 

Empresas que estruturam o fechamento de forma antecipada e consistente tendem a apresentar maior segurança operacional, melhor desempenho ambiental e menor exposição a riscos ao longo do tempo. 

Entre em contato com a Apoan para fortalecer seu desempenho ambiental com uma abordagem técnica, estratégica e alinhada às exigências regulatórias.

 

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